“Ramayana Velcro deixou de ser enfermeira logo após ter batido a porta pela última vez. (Amante de Euphemia) Morou de aluguel durante décadas até que, em 1986, passasse a atrair multidões à sua casa (recém-comprada via empréstimo fraudulento no banco) ao profetizar o fim do mundo. Alegava possuir uma galinha que punha ovos com a inscrição: Cristo vem aí. Velcro anunciou que o mundo acabaria quando a galinha pusesse o décimo quarto ovo. Por encargo divino, vendia a salvação das almas a preços módicos. A vigarista lésbica faturou uns bons trocados até ser presa ao ser surpreendida enfiando na galinha os ovos com a inscrição sagrada” – fragmento do romance A Divina Comédia.
Quarta-feira, Junho 24, 2009
Segunda-feira, Junho 22, 2009
“A luz negra de um destino cruel, ilumina um teatro sem cor, onde estou representando o papel, de palhaço do amor”.
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Ela é um rio nesses lençóis amassados de sono, correnteza macia e quente levando consigo travesseiros e despertadores. Enquanto a olho, molho meus pés nas águas de sua margem, há um seio desnudo e doce, o outro encoberto pela colcha ainda dorme. O desperto fere meus olhos com a rigidez do seu bico, seda de silício apontando as estrelas. Ela abre os olhos, mas, não acorda ainda, a âncora da retina mantém-se fixa, funda no sonho. Mas vê a tudo e comigo balbucia palavras carinhosas, morango espetado na pele do lábio, fotografando fantasmas nas sombras do quarto. Seus fantasmas. Seu cheiro é doce nessa manhã assim como em todas as outras, deságua em nossa cama seus perfumes adocicados, seu corpo é o arquipélago silencioso protegido por anéis de rochas escuras, firmes, embora leve de pousar como membranas. Assim levanta, levita agora a nudez violenta e completa, a romã carnuda descascada, o figo escorrendo das coxas. Beijo sua boca veludosa percebendo nela o misto do sal e açúcar. Meu sangue ferve, o dela borbulha no ventre, o dela sangra mais que o meu. Mulheres são animais que sangram em ciclos, assim como a lua, a maré cheia, o suadouro das pétalas. Obedecem à regra da natureza, seus olhos pertencem ao sacrifício do tempo que rege o primitivo, que aflora os instintos com os aromas da caça. Nós, tristes homens, senhores dos nossos relógios, obedecemos à máquina, à engrenagem viciada que nos tritura das oito da manhã até o final da tarde, quando abrimos a primeira cerveja esboçando o sorriso de plástico do dever do dia cumprido. Desconhecemos a mágica intestinal que alimenta as células das fêmeas, nossas fêmeas, que seguem no mundo injetando beleza e loucura e poesia no concreto da cidade. No ventre, os óvulos agitados em conluio, nas mãos, nossos corações sangrando salpicados de medo. Nas órbitas, a loucura a morte e o amor. Nos braços, a carne macia da mãe primeira, da placenta retardatária. Amá-las tem esse gosto de incesto e de culpa. De amor. De canto. De despertar. As mulheres são bocetas que sonham.
A calcinha está em frente ao paraíso, bem o sabe o pedófilo plantonista dos catálogos de lingerie. Deus criou a mulher, mas o Diabo redigiu os manuais de usuário. Homens só acertam o buraco graças às placas de sinalização. Amanhã jurarei ter visto um orgasmo vestido de cocaína. O nariz de Gogol sofre de rinite alérgica quando enfiado nos ruivos pêlos pubianos da russa que sobreviveu à moda do bigode stalinista.
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Kant a caminho do pavor, do amor como agressão, do parto da prisão de ventre & do surgir dos insetos mesmo com as janelas fechadas. Kant a meio palmo da morte, da regular precisão da higiene, da feliz toalete bem feita & do estudo da agonia do alcoólatra arrependido. Kant e o lazer da aposentadoria dos solteiros que nunca chuparam bocetas com asas de crepom (alugadas para o carnaval).
Irina implorava que urinassem dentro dela, para gozar alarmes de incêndio no aparelho morto de seus ovários. Generosa (como diamantes comestíveis) nunca negou copos d’águas nem boquetes a ninguém. Com ela, estupradores podiam ser delicados – a delicadeza do genocídio noturno. Estupradores são românticos cansados de ser esperançosos. A melhor esperança é o desinteresse.
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Onanistas são manicures desastradas, pianistas com Alzheimer, assassinos ambidestros cobrando aluguéis atrasados. O sêmen não coalhará em espírito – assim como os testículos amarrados no cóccix simiesco dos travestis. Algo fede no mundo quando a locadora de vídeos pornográficos cede espaço para a loja de perfumes.
Sexta-feira, Maio 15, 2009
O amor sairá na urina. Da descarga seguirá para Paris, onde terá axilas peludas e aulas de solos de sax. O coração é o taxímetro registrando corridas sobre as cruzes da sífilis. Quem ama adquire o hábito de morrer aos poucos – como suicidas que antes arrumam o próprio quarto. O próximo exame dará negativo. O próximo exame jogará fora todos os discos do Kenny G.
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